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Precatórios Verdes: como a Emenda Constitucional 136/2025 e as novas tecnologias do CNJ estão redesenhando o futuro fiscal e ambiental do Brasil7 min read

Nos últimos anos, falar em precatórios quase sempre significou falar em atraso, fila e pressão fiscal. No entanto, com a promulgação da Emenda Constitucional 136/2025, esse cenário começou a mudar. Ainda que grande parte do debate público tenha se concentrado no impacto orçamentário da medida, existe um conjunto de dispositivos pouco discutidos que amplia de forma significativa o alcance da emenda.

Entre esses pontos, destaca-se a criação de uma ponte inédita entre gestão de dívidas judiciais, adaptação climática e modernização tecnológica do Judiciário. Dessa forma, os precatórios deixam de ser apenas um problema contábil e passam a integrar um desenho mais amplo de política pública.

Por isso, compreender essas mudanças tornou-se essencial não apenas para gestores, mas, principalmente, para quem possui ou pode vir a possuir um precatório.

Antes de avançar: o que a EC 136/2025 efetivamente altera

Antes de tudo, é necessário esclarecer um ponto central: a EC 136/2025 não extingue precatórios. Tampouco elimina decisões judiciais. Pelo contrário, ela redefine os parâmetros fiscais dentro dos quais esses pagamentos devem ocorrer.

Na prática, a emenda:

  • Estabelece percentuais da Receita Corrente Líquida que estados e municípios devem destinar ao pagamento de precatórios;
  • Antecipou o prazo de inclusão dos precatórios na proposta orçamentária;
  • Ajustou critérios de atualização monetária;
  • Criou mecanismos adicionais de equilíbrio fiscal.

Para acompanhar o texto oficial da emenda e seu teor completo, você pode consultar a íntegra na Câmara dos Deputados:
EC 136/2025 — texto promulgado na Câmara dos Deputados

Portanto, o foco da emenda não é cancelar dívidas, mas reorganizar a forma como o Estado convive com elas.

Entretanto, surge algo novo: o chamado “Precatório Verde”

Apesar de pouco comentado, a EC 136/2025 trouxe um dispositivo inovador: a autorização para que até 25% do superávit financeiro de determinados fundos públicos seja destinado a projetos de transformação ecológica e adaptação às mudanças climáticas.

Entre esses fundos estão, por exemplo:

  • Fundo Social do Pré-Sal
  • Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust)

Essa conexão entre receitas de fundos públicos e prioridades climáticas está alinhada aos objetivos da Política Nacional sobre Mudança do Clima, instituída pela Lei nº 12.187/2009, que estabelece diretrizes para políticas públicas de adaptação e mitigação dos impactos climáticos no Brasil. Saiba mais:

Lei nº 12.187/2009: Política Nacional sobre Mudança do Clima (Planalto)

A princípio, pode parecer que essa regra não tem relação com precatórios. Contudo, ao observar o funcionamento do orçamento público, percebe-se que a conexão é direta.

Em termos simples: qual é a lógica por trás disso

Quando o Estado enfrenta pressão em áreas como infraestrutura, prevenção de desastres e adaptação climática, ele precisa deslocar recursos de outras rubricas. Consequentemente, sobram menos recursos livres para honrar obrigações judiciais.

Ao permitir que parte dos superávits de fundos específicos financie políticas ambientais, a emenda reduz a pressão sobre o caixa geral. Como resultado, preserva-se espaço orçamentário para despesas obrigatórias, incluindo os precatórios.

Outro ponto relevante é que essa regra está alinhada com compromissos internacionais do Brasil no Acordo de Paris, que visam fortalecer ações climáticas e adaptação de países emergentes:

UNFCCC: Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) do Brasil

Assim, nasce o conceito de Precatório Verde: não como um novo tipo de título, mas como um ambiente fiscal mais saudável, que sustenta o pagamento de dívidas judiciais ao mesmo tempo em que financia a adaptação climática.

Além disso, os municípios passam a ter obrigação ambiental

Outro ponto relevante diz respeito aos entes municipais.

Entre 2027 e 2032, os superávits financeiros dos municípios deverão ser destinados obrigatoriamente a:

  • Saúde
  • Educação
  • Adaptação às mudanças climáticas

Esse foco em prioridades essenciais está em linha com os princípios da Constituição Federal, que exige aplicação mínima de recursos em saúde e educação.

Saiba mais sobre SUS e do MEC em acessando Ministério da Saúde: aplicação mínima constitucional  e Ministério da Educação: orçamento e aplicação mínima.

Dessa maneira, políticas ambientais deixam de ser opcionais e passam a integrar o núcleo duro do planejamento público local.

Como consequência, municípios mais organizados financeiramente tendem a apresentar menor risco estrutural, o que, novamente, favorece a previsibilidade dos pagamentos judiciais.

Portanto, o que muda para o credor

Na prática, o credor passa a conviver com um sistema em que:

  • O pagamento depende menos de decisões políticas isoladas;
  • O orçamento é planejado com maior antecedência;
  • O Estado busca maior estabilidade fiscal;
  • E os fluxos financeiros tendem a ser mais previsíveis.

Em outras palavras, o precatório deixa de ser apenas uma promessa distante e passa a integrar um planejamento macroeconômico estruturado.

Para entender melhor como o regime fiscal impacta a economia real dos entes públicos, o Tesouro Nacional publica relatórios que explicam a lógica por trás dos limites fiscais e a importância da responsabilidade no gasto público:

Tesouro Nacional: Relatórios de Gestão e Fiscalização

Paralelamente, entra em cena a tecnologia do CNJ

Enquanto o lado fiscal é reorganizado, o Conselho Nacional de Justiça atua em outra frente essencial: a modernização tecnológica da gestão de precatórios.

Historicamente, cada tribunal possuía seu próprio sistema. Como resultado, informações se perdiam, prazos variavam e o credor tinha enorme dificuldade para acompanhar sua situação.

Esse cenário começou a mudar.

SisPreq: sistema nacional de precatórios

O CNJ lançou o Sistema Nacional de Precatórios (SisPreq), cuja finalidade é:

  • Centralizar informações;
  • Padronizar dados;
  • Integrar tribunais;
  • Facilitar o acompanhamento dos créditos.

O próprio CNJ detalha o projeto aqui: CNJ – SisPreq: Sistema Nacional de Precatórios

Assim, o precatório passa a ter rastreabilidade digital, reduzindo assimetrias de informação.

Além disso, uso regulado de inteligência artificial

O CNJ também estabeleceu diretrizes para o uso de inteligência artificial no Judiciário, priorizando:

  • Automação de tarefas repetitivas;
  • Redução de erros humanos;
  • Aumento de produtividade;
  • Transparência dos sistemas.

Embora a tecnologia não altere prazos legais, ela reduz gargalos operacionais, o que, na prática, melhora a fluidez do sistema.

Consequentemente, muda a pergunta que realmente importa

Durante muito tempo, a pergunta mais comum foi:
“Quando meu precatório vai pagar?”

Hoje, porém, a pergunta mais inteligente passa a ser:
“Como está o cenário fiscal do ente que me deve e como meu crédito está posicionado nesse sistema?”

Essa mudança de mentalidade é decisiva.

FAQ: Perguntas diretas

O que é um precatório?
É uma dívida do poder público reconhecida por decisão judicial definitiva.

A EC 136/2025 cancelou precatórios?
Não. Ela reorganizou regras fiscais de pagamento.

O que é Precatório Verde?
É o uso indireto de superávits de fundos públicos para políticas climáticas, ajudando a preservar capacidade de pagamento.

A tecnologia do CNJ garante pagamento mais rápido?
Não garante, mas aumenta controle, transparência e previsibilidade.

Vale analisar meu precatório individualmente?
Sim. Cada crédito possui características próprias.

Informação virou ativo. Estratégia virou obrigação.

A EC 136/2025 inaugura uma fase em que precatórios, sustentabilidade e tecnologia passam a dialogar de forma definitiva, transformando a informação no principal diferencial de quem precisa decidir. Nesse novo cenário, análise vem antes de proposta, cenário vem antes de promessa e estratégia vem antes de pressa.

Se você quer entender onde seu precatório se encaixa dentro desse novo modelo e quais caminhos fazem mais sentido para o seu caso, fale com o time da Ativos. Aqui, você não decide no escuro. Você decide com estratégia.

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